Na COP-30, a Integridade da Informação Climática deixou de ser pauta secundária para se tornar um eixo estruturante da ação global. A Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima (RPIIC) celebra o avanço histórico de Belém: pela primeira vez, o tema foi incorporado oficialmente à Agenda de Ação da Conferência, sob liderança da Presidência brasileira. Esse marco confirma aquilo que a sociedade civil organizada vem alertando há anos: sem informação íntegra, confiável e baseada em evidências, não há política climática eficaz, não há debate público qualificado e não há democracia capaz de responder à crise ambiental.
A Declaração sobre a Integridade da Informação Climática, apresentada e já firmada por 20 países, consolidou diretrizes ambiciosas para enfrentar a desinformação climática em escala internacional. O documento reconhece que campanhas enganosas — do negacionismo mais explícito às barreiras estruturais que atingem jornalistas, comunicadores, ambientalistas e povos e comunidades tradicionais — enfraquecem a governança global do clima. Ao comprometer governos a Declaração cria as bases para um ecossistema informacional que sustente a ação climática real.
Esse movimento ecoou no documento final da Conferência, o “Global Mutirão”, que anunciou a COP-30 como “a COP da Verdade”. No preâmbulo, reconheceu-se que restaurar a confiança pública passa pela união entre ciência, equidade e determinação política — e, sobretudo, pelo compromisso explícito com a integridade da informação. A inclusão desse princípio afirma que o combate à desinformação é hoje tão estratégico quanto os compromissos de mitigação, adaptação e financiamento climático.
O reconhecimento à RPIIC também ultrapassou as fronteiras brasileiras. A UNESCO destacou a Rede no capítulo nacional da Global Initiative for Information Integrity on Climate Change, evidenciando o papel singular da articulação entre sociedade civil, academia, movimentos sociais e organizações ambientais no país. Esse protagonismo reforça a urgência de fortalecer, de forma contínua, uma cultura informacional honesta, transparente e alinhada à ciência, uma condição indispensável para que o Brasil avance como referência global em políticas de integridade da informação climática.
Durante a COP-30, o evento “Integridade da informação e ação climática no Brasil: sinergias entre governo e sociedade civil”, realizado no Pavilhão Brasil, materializou essa convergência. Ali, a Rede lançou seis instrumentos estratégicos elaborados por nossas organizações parceiras em um processo colaborativo e rigoroso de estudos e pesquisas. A amplitude dessa entrega confirma que o enfrentamento à desinformação climática já é uma agenda madura, estruturada e fundamentada tecnicamente no Brasil.
A presença ativa da RPIIC em 14 mesas e oficinas, ao lado de instituições nacionais e internacionais, ampliou a incidência pública da Rede e consolidou sua capacidade de articulação. Cada debate, instrumento lançado e parceria firmada demonstrou que a integridade da informação não é apenas uma pauta técnica: é uma condição de possibilidade para que a ação climática seja efetiva, democrática e socialmente legitimada. O cumprimento dessa agenda é o que permitirá que governos, empresas, sociedade civil e plataformas digitais avancem de forma responsável no enfrentamento à crise climática.
A COP-30 encerra-se, mas o trabalho da Rede se intensifica. A entrega coletiva das organizações parceiras fortaleceu o Capítulo Brasileiro da Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima e reafirmou nosso compromisso com o direito da sociedade à informação íntegra, precisa e confiável. Avançamos com a convicção de que enfrentar a desinformação climática é proteger o futuro — e que só haverá ação climática robusta onde houver verdade, confiança e compromisso público compartilhado.
Rede de Parceiros Pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima (RPIIC)